quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O QUE QUER UMA MULHER?


Ah... O que quer uma Mulher? Ou será, o que querem as mulheres? Ou ainda, o que quer “esta” mulher? Tantas perguntas, dúvidas e questionamentos, cercam o universo feminino. Talvez um enigma a ser desvendado pelos estudiosos, pelos homens com as quais convivem e, sem sombra de dúvida, por elas mesmas.
Mas será que as próprias mulheres sabem, realmente, o que querem?
Carinho, atenção, respeito, amor, companheirismo... Tudo isso faz parte do repertório de uma mulher quando questionada à respeito do que ela gostaria de um homem. No entanto, existem homens que oferecem todos esses atributos, e ainda assim, no discurso feminino, isso não é suficiente.
A pergunta “O que quer uma Mulher?”, foi feita por Freud a Marie Bonaparte, sua analisanda e discípula direta, com uma boa dose de desânimo e espanto. Sentia-se diante de uma espécie de “enigma” que não conseguia desvendar: “A grande pergunta que não foi nunca respondida e que eu não fui capaz ainda de responder, apesar de meus trinta anos de pesquisa sobre a alma feminina é – o que quer uma mulher?” (Bertin, 1989, p.250).
Claro que as mudanças ocorridas, relativas ao lugar social da mulher na cultura e no contexto familiar, propiciaram a esta sair de um lugar, até então, praticamente materno e voltado às necessidades da família, para uma posição mais ativa. Agora, essa mulher não se dedica somente a maternidade e o lar, ela cresceu no mercado de trabalho, conquistando um lugar que, até então, era exclusivo aos homens, ou pelo menos, quase que exclusivo.
Porém, tudo tem um preço. Assim como as histéricas do século XIX que Freud tratava, pareciam protestar, com seus sintomas, contra a fixação de suas vidas ao lar e à maternidade, os sintomas femininos contemporâneos parecem denunciar o mal-estar e as contradições com as quais as mulheres se confrontam na atualidade, sejam elas mães ou não (Nunes, 2011).
Ora, se todo o trabalho e protesto da revolução feminista tinham como objetivo “libertar” as mulheres de uma vida quase que completamente aprisionada dentro de regras e limitações impostas por uma sociedade machista e patriarcal, era de se esperar que essas mulheres pudessem se realizar, serem felizes, gozando de tal liberdade. Entretanto, não é bem isso que vemos.
Sim, as mulheres assumiram mais papéis, mais funções, consequentemente, as cobranças vieram. Os sintomas? Não seriam eles um grito de socorro, visto que essa liberdade trouxe uma quantidade muito maior de coisas a serem feitas? Acúmulo de tarefas, obrigações quanto ao trabalho, à família, filhos, escola, amigos...
Mas, por que será que ainda assim, o desconforto emocional, a sensação de vazio, de não serem compreendidas e amadas, ainda perseguem as mulheres?
Afinal, o que querem as mulheres? Muitas e diversas coisas, certamente, mas quando damos ouvidos às suas queixas, como fez Freud com suas histéricas, descobrimos que, antes de tudo, elas querem liberdade e condições que lhes permitam desejar sem precisar pagar o alto preço da culpa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERTIN, C. (1989) A última Bonaparte. Rio de Janeiro: Escuta.
NUNES, S. A. (2011) “Afinal, o que querem as mulheres? Maternidade e mal-estar”. Psicol. Clín. (vol.23, nº2). Rio de Janeiro: IMS/UERJ.

4 comentários:

  1. Gostei muito!!!
    Acredito que a alma feminina é muito sensível e insaciável, quanto mais tem mais quer. Essa questão é uma questão do universo feminino, elas estão sempre em busca de alguma coisa, muito diferente do universo masculino,que é mais racional, determinado e objetivo. A mulher vem de Eva, aquela que quer abarcar, absorver, dominar e direcionar através da sua sensibilidade, do seu calor e ardor, da sua compreensão. A alma feminina é bem versátil... Se for abarcar este tema, temos uma infinidade de coisas para falar. bjs no coração adorei, espero ter contribuído com alguma coisa . Minha linha de atuação é Junguiana, mas também adoro Freud que é o pai da Psicologia, Lacan pela sua forma de perceber as coisas.

    ResponderExcluir
  2. Meus parabéns !!! Gostei da ideia sobre o feminino ...

    ResponderExcluir
  3. Adorei, vou arquivar no jardim particular e secreto sainha alma!! Parabéns Dre!!!

    ResponderExcluir